Os dois filhos da família Marchetti de Lombricci di Camaiore, Giuseppe e Assunta, se tornaram missionários no Brasil. Eles quiseram, por graça de Deus, e disponibilidade pessoal, ser como que os anjos protetores daqueles italianos que, no final do século XIX, foram obrigados a migrar, ou seja, buscar o pão para si e para suas famílias longe da terra natal. Será que hoje, também, tem gente forçada a migrar?
O jovem José Marchetti, com 23 anos tornou-se sacerdote. Era estudioso, inteligente e cheio de boa vontade. Aprendeu bem o francês, o latim, e claro, o italiano. Além disto sabia tocar piano e cantar! Foi professor de línguas e de matemática! Um gênio de menino!
Em outubro de 1894 partiu do porto de Genova, junto com os compatriotas que partiram para o Brasil. A nave, Maranhão, tinha em seus porões, mais de 1.000 migrantes… Você pode imaginar o que isto significava? Mais ou menos um mês naquele ambiente?
Como são as viagens dos Imigrantes que em nossos dias chegam a Itália, no Brasil e em outros países?
O ardoroso jovem missionário, em dezembro do mesmo ano, embarcou em uma segunda viagem como Capelão de bordo de outros migrantes. Naquela segunda viagem teve um problema. Morreu uma jovem mãe que deixou um filho pequeno e o marido. Ao sepultarem o corpo nas águas do Oceano, o marido, desesperado queria jogar-se nas águas com o pequeno nos braços.
Padre José agarrou-o e lhe disse: do filhinho me encarrego eu de achar um orfanato para ele, e o senhor, coragem, a vida continua!
Chagados ao Brasil, procurou orfanatos e não encontrou. Mas Deus que cuida de todos os que a Ele recorrem, fez nascer no coração do padre o desejo de construir um orfanato para os órfãos, filhos dos migrantes italianos.
Por isto procurou ajuda, ganhou um grande terreno, tijolos e a mão de obra era a dos migrantes. E, em poucos meses estava pronto o espaço para acolher os pequenos. Mas quem cuidaria destes pequenos infelizes? Precisava de mães espirituais, generosas, capazes de amor para aqueles a quem elas não tinham gerado… e em terra estrangeira!
Em outubro de 1895, Padre Marchetti voltou para a Itália, foi falar com o Bispo fundador, Mons. Giovanni Battista Scalabrini, em Piacenza. Contou-lhe a realidade dos italianos que tinham emigrado para o Brasil.
Depois foi a Camaiore, na casa da mãe viúva, Carola Ghilarducci Marchetti. Ele tinha uma irmã, de nome Maria Assunta Caterina que queria ser irmã de clausura. A jovem tinha 24 anos e fez-lhe um desafio: Assunta, fala com o Sagrado Coração de Jesus e pede se ele quer que você seja irmã de clausura ou missionária, como mãe dos órfãos no Brasil. Assunta levou um susto! Ele disse: fique em paz! Não precisa responder hoje. Reze, pense, converse com o padre da paróquia e depois me responderás.
Assim foi. Depois de alguns dias, Assunta Caterina se achegou ao irmão missionário e disse: “Serei missionária, mãe dos pequenos órfãos em terras brasileiras!”
Pe. Giuseppe, exultou de alegria e convidou outras jovens e a mãe viúva e, no dia 25 de outubro, levou-as a Piacenza, para que o bispo fundador as abençoasse e, nas mãos do Prelado de Piacenza, Mons. Scalabrini, fizeram os votos de pobreza, castidade e obediência. Assim, tudo pronto. A pequena caravana partiu para Genova e todos embarcam, como “Migrantes entre os migrantes” no navio Fortunata Raggio, pronta para zarpar rumo ao Brasil.
O navio era uma verdadeira paróquia flutuante: missas, catequese, oração do rosário, canto das ladainhas, nascimentos, mortes! Era um misto de alegrias e esperanças que se misturavam com dor e lágrimas. O padre Marchetti atendia as confissões, regularizava matrimônios, acalmava os ânimos exaltados. Madre Assunta e as demais irmãs se aproximavam das mães amarguradas e as encorajava a serem fortes e confiarem em Deus, que já as esperava na nova pátria onde iriam viver. Outras vezes, podemos imaginar Assunta, sentada ao lado de jovens chorosos, que fugiam do grupo para chorar e curtir as recordações, pois muitos tiveram que deixar para trás os amores de adolescentes ou jovens. O tempo passava e, assim, no dia 20 de novembro, chegaram no Porto de Santos, São Paulo.
Por Ir. Leocadia Mezzomo,mscs – 08/05/2026


